Resenha do filme Tenebrae (Tenebre)

O Tenebrae, ou Tenebre, é um filme de terror escrito e dirigido por Dario Argento lançado no dia 20 de outubro de 1982. Esta obra italiana tem Anthony Franciosa, John Saxon e Daria Nicolodi no elenco e conta a história de um escritor famoso que se vê cercado de uma série de assassinatos que seguem as mesmas características do seu último best seller, Tenebrae.

Esta resenha, aliás, foi o tema do nosso nono Cine Clube Bolonha de Cinema:

Resolvi fazer a resenha deste filme depois de ter explorado o Tenebrae [1], um mod para Doom criado pelo Pedro VC que é inspirado nas obras cinematográficas de Argento e outros grandes nomes do gênero, como Lucio Fulci. Valeu a pena, embora eu, talvez devido a ignorância, não tenha percebido a semelhança entre o filme e o mod, pelo menos no quesito de enredo. O filme é bem assistível, segue a história de forma racional, embora tenha partes de interpretação subjetiva ou não explícita e alguns elementos de terror experimental que o próprio Fulci teria mexido em outras ocasiões passadas.

Tipo, não é um filme ruim de forma alguma o enredo é certamente interessante pra te manter envolvido, mas realmente esperava algo mais impressionante, talvez mais pela atmosfera extremamente sombria e horripilante do mod, que já tá lá na Gaming Room, do que pela reputação de Argento. Também, no tópico onde o Pedro VC divulgou o WAD, alguém falou que o John Saxon, ator americano que interpretou o Bullmer no filme, era fodão no Tenebrae, mas nem era. Era até meio zeroula. Ele foi do caralho mesmo no Enter The Dragon (Operação Dragão), aquele filme do Bruce Lee dos mais famosos que eu achava quando pequeno que Saxon era o James Bond, embora seu personagem nem inglês fosse.

Enfim, o Tenebrae é bom. Não achei fantástico e não tem nada de sobrenatural (é um filme que pode ser encaixado no gênero “giallo”, mais policial) pelo menos explicitamente, mas é bem estruturado pra te envolver sem se perder com aquelas cenas esquisitas abstratas que dependem de supostas interpretações subjetivas para apreciar, o que, no fim das contas, resume-se a coisa de manja rola.

Se você curte Dario Argento, acho que nem precisava de recomendar este título que parece ser um dos mais populares dele. Se você só conhece ele por causa daquela filha vagabunda dele que denunciou supostos abusos, mas ela mesmo é acusada de abusar de menores, pode ser que goste também. E o mod é bacana e tem seu mérito, embora eu não goste muito de explorar mapas, ainda mais escuros e tenebrosos daquele jeito, e precise de balanceamento em alguns aspectos.

Aftermath

O Tenebrae tem um enredo coerente e consistente, sendo um dos trabalhos de Argento não apenas dos mais famosos, mas que foge daquele tipo de coisa que depende de interpretações subjetiva de um monte de cenas desconexas. O filme tem alguns elementos sublimes, carrega-se simbologia em algumas partes e tal, mas vi isto mais como um extra, pois não impede de apreciar e de entender a história. Também gostei muito pelo fato de ser algo bem original. Por exemplo, o policial que investiga os assassinatos gosta de tomar uma birita mesmo durante o trabalho, ao contrário do clichê “nunca bebo em serviço”.

Trailer

Ficha técnica

  • Título: Tenebrae (Tenebre no Brasil) (1982)
  • Duração: 101 minutos Gênero: Terror/Policial/Giallo
  • Dirigido e escrito por: Dario Argento
  • Elenco Principal: Anthony Franciosa, John Saxon, Daria Nicolodi, Christian Borromeo, Mirella D’Angelo e Giuliano Gemma
  • País: Itália

Veja também

  1. Tenebrae – O mod para Doom brasileiro inspirado em trabalhos do Dario Argento e Lucio Fulci que me animou a assistir e fazer a resenha do filme.

Review e recomendação do filme de terror Husk

Confira o nosso review e recomendação do filme de terror Husk (lançado no Brasil como Espantalho), um filme de terror americano lançado em 2011 pela After Dark Films, a firma responsável pelo festival After Dark Horrorfest. Husk conta a história de um grupo de jovens que estavam viajando pelo interior dos EUA e, após um corvo bater no vidro do carro, este fica inutilizado e acaba parando perto de um milharal com uns espantalhos muito sinistros.

Nós adaptamos um texto original do LichKing a respeito do Husk e continuamos a partida anterior do Cine Clube Bolonha de Cinema, onde o Facínora jogou Doom II (com uns mods) enquanto compartilhava as nossas impressões deste filme:

Obtenha os links para download e mais informações dos mods jogados para ilustrar a partida do vídeo aqui.

Resenha

Como dissemos acima, filme começa aparentemente como sempre, com um grupo de jovens amigos inadvertidamente caindo em uma situação bem complicada. Além de ficarem sem carro, os espantalhos da plantação onde eles ficaram encalhados se revelam mortos-vivos bastante perigosos. Como zumbis e outros monstros do gênero, estas criaturas também transformam as vítimas em espantalhos, aumentando seus números, só que seu comportamento é razoavelmente diferente do que costumamos ver nas telas.

O filme conta com vários pontos positivos. Logo de cara, já podemos citar a boa filmagem e produção (considerando que é um filme B) e a atmosfera tensa. A aflição fica por conta do terror psicológico, ao contrário destes filmes que ficam colocando cenas “fortes” para chocar.

Além disto, pode parecer um paradoxo, mas tem clichês de vários filmes de terror, mas seu enredo não é manjado. Isto pois os apresenta de maneira diferente, quase subliminares. Então, você vai assistir várias cenas familiares, sem quebrar o suspense. Eu diria que, assim como um espantalho é feito de retalhos, o Husk também foi “costurado” com vários elementos do gênero, só que combinados de uma maneira original e coerente.

Outro ponto positivo é a exclusão de ausência de idiotices que muitas vezes colocam em filmes de terror. Não tem aqueles rockzinhos mela cueca (que os amadores e posers acham pesadassos) relacionados aos personagens jovens americanos e algo relacionado ao principal protagonista que eu não vou spoilar.

Para um filme de terror totalmente não mainstream, conta com um elenco decente e uma boa produção. O único ator que eu reconheci foi o Wes Chatham, que interpreta Amos, um personagem meio nó cego da série The Expanse, mas nestes aspectos, Husk entrega o necessário.

Resumidamente, temos espantalhos, mortos-vivos, rednecks e maldição de família. Tem mimimi, mas não é nada exagerado, visto que os personagens logo desconfiam que tem algo tenso e sobrenatural rolando e atuam a partir daí, ao invés de ficarem gritando e tirando as calças, esperando pra trolha entrar, algo que sempre acontece nestes filmes.

Então, não vou dizer que o Husk é um filmaço (como praticamente nenhum dos filmes que o LichKing fez review) e nem que inova muito no gênero, mas é um bom filme de terror pelos motivos que citei acima e em comparação com outros lançamentos B do gênero nos últimos anos.

Trailer

Ficha Técnica

  • Título: Husk (2011)
  • Título Brasileiro: Espantalho
  • Duração: 83 minutos
  • Gênero: Terror, Zumbis
  • Dirigido e Escrito por: Brett Simmons
  • Elenco Principal: Devon Graye, C. J. Thomason, Wes Chatham, Tammin Sursok e Ben Easter
  • País: Estados Unidos

Saiba mais

Cobra Kai, a série que continua The Karatê Kid 30 anos depois

Vou deixar aqui uma pequena resenha do Cobra Kai, a série que continua The Karatê Kid e estreou no dia 2 de maio de 2018 no YouTube Red, o serviço de streaming desta plataforma de vídeos, 34 anos depois do original. O review foi feito baseado na primeira temporada da série.

Criada por Robert Mark Kamen (o mesmo escritor dos três primeiros filmes da franquia) e contando com pelo menos três atores originais, Cobra Kai conta os eventos que decorrem depois que Johnny Lawrence (William Zabka) reabre o antigo dojo de caratê Cobra Kai, levando à retomada da sua antiga rivalidade com Daniel LaRusso (Ralph Macchio). A série, que já garantiu a renovação para sua segunda temporada, foi o assunto do sexto vídeo do nosso Cine Clube Bolonha de Cinema:

Como fundo do vídeo, temos o Doom II junto com alguns mods para ilustrar tudo. Esta partida será continuada no Cine Clube Bolonha de Cinema 7. Obtenha os links para download e mais informações destes mods aqui.

The Karatê Kid, o filme original

Para quem não conhece, Karatê Kid é um filme de artes marciais e drama lançado em 1984 que conta a história de Daniel LaRusso, um jovem que se muda para outra cidade e começa a sofrer bullying de Jonnhy Lawrence, um praticante de caratê de um dojo comandado por um sensei sociopata, Kreese. Um dia, quando cercado pelos amigos de Johnny, ele é salvo pelo Sr. Miyagi, um veterano japonês da Segunda Guerra Mundial que também era um experiente mestre de caratê. Desejoso de aprender os segredos desta arte marcial, até mesmo para se defender, Daniel convence Miyagui a lhe dar aulas cujos ensinamentos não apenas o fazem derrotar Johnny no campeonato, mas acabam por transformar-se em lições de vida.

Bastante popular na época e icônico, apesar de algumas cafonices que são zuadas até hoje, o filme foi dirigido por John G. Avildsen, escrito por Robert Mark Kamen e estrelado por Ralph Macchio, Noriyuki “Pat” Morita, Elisabeth Shue, William Zabka e Martin Kove (o Ericson, do Rambo II). Assim como o sucesso anterior de Avildsen, Rocky (1976), é uma história underdog, inclusive com a trilha sonora sendo de autoria do mesmo compositor deste grande clássico, Bill Conti. The Karatê Kid rendeu três sequências The Karate Kid Part II (1986), The Karate Kid Part III (1989) e The Next Karate Kid (1994) e um remake em 2010 com o Jackie Chan.

Resenha

Enfim, como já liberaram os 10 primeiros episódios, estilo o que fazem com algumas séries do Neflix tipo Stranger Things, já assisti tudo e posso garantir que a série não tem nenhuma espécie de lacração nem forçação de politicamente correto, pelo menos nesta primeira temporada. Pelo contrário, tem umas tiradas histericamente engraçadas. especialmente envolvendo Johnny, protagonista do Cobra Kai que é quase uma mistura de Al Bundy (Married… with Children) e Sledge Hammer (do seriado homônimo), sem medo de falar o que pensa, não liga para modismos e muito menos frescuras.

Aliás, a série foca mais em Johnny do que no Daniel, embora os dois sejam definitivamente os principais em Cobra Kai, mostrando o drama pessoal do primeiro ao lidar com os novos desafios, seu passado e seus demônios pessoais. Também mostra o lado obscuro de Daniel, que também parece não ter exatamente superado o rancor de Johnny por ter sido cobaia dele na época da escola.

É curioso como os papéis se invertem em sentidos praticamente opostos em Cobra Kai. Enquanto Johnny era o playboy valentão da escola, sendo “do mal”, Daniel era socialmente excluído, visto como fracassado e o mocinho da história. Já na série, Johnny tem o mesmo carro que tinha no segundo grau (no estilo Al Bundy) e passa por dificuldades financeiras (estilo Al Bundy), ao passo que Daniel é bem sucedido, dono de uma lucrativa concessionária e pai de uma família bem estruturada com uma bela esposa e um casal de filhos. Também, na medida em que Johnny não apenas tem o desejo de superar as adversidades e corrigir erros do passado, mas também de ajudar as pessoas ao seu redor (ensinando Caratê pros moleques enfiarem a porrada nos valentões da escola, por exemplo), fica evidente que ele é, no fundo, um sujeito de boa índole. Já Daniel, que seria aquele rapaz simples e injustiçado, começa a série esfregando seu sucesso na cara do antigo rival como forma de se mostrar superior, e ainda dissimulando isso sob uma máscara de bem feitor, deixando também transparecer seus defeitos e inclinações ruins. Dito isso, eu não diria que Daniel seria exatamente o antagonista do Cobra Kai (embora dizer o contrário esteja virando meme). Ele não é um mau sujeito, só não é nenhum santo. Ou seja, os dois velhos rivais são homens comuns que tentam fazer o bem a sua maneira, mas cometem erros quando se deixam levar pela natureza corrompida do ser humano.

Outra coisa é que você não deve esperar muita ação e porrada em Cobra Kai. Tem ação e porrada, como no primeiro filme, mas, como no primeiro filme, isto não é exatamente o foco. A primeira temporada se concentra mais na dinâmica que eu tentei descrever no parágrafo anterior, sendo mais um drama com tema de artes marciais do que uma série de pancadaria propriamente dita, o que também não significa que seja melodramática, como novela mexicana ou essas coisas de bazingueiro tipo Arrow cheias de choradeira e frescura. Pelo contrário e como já dito, Cobra Kai apresenta muitos elementos cômicos e quase nada de enrolação.

Embora nada no nível de um filme do Boyka ou um Ong Bak, e não muito frequentes, as cenas de artes marciais são legaizinhas e bem decentes, embora tenham algumas coisas que até eu que não sou praticante de caratê posso dizer que são meio forçadas. Não creio que nesta arte marcial, alunos com poucos meses de treino viram faixas-pretas. Também, não me parece verossímil que num campeonato oficial seja permitido lutar de óculos, sem distinção de categoria e podendo transformar as lutas em algo parecido com roda de capoeira. De qualquer maneira, isto não destoa muito do Karatê Kid que não primava muito pela técnica neste quesito. Inclusive, o ator que interpretou o grande sensei Sr. Miyagi, o finado Pat Moritta, nunca tinha praticado caratê antes na vida, diga-se de passagem.

O elenco, além dos atores originais, promove personagens cativantes. Tem alguns clichês, mas notei que praticamente todos os principais são explorados na  medida certa, apenas no necessário para contribuir pro enredo primário. Ou seja, sem descambar para choradeira e palhaçada pra encher linguiça.

Outro ponto que vale a pena citar é a nostalgia. Cobra Kai tem diversas referências ao filme de 1984 e outros elementos retrô, mas não é nada exagerado nem piegas. Pelo contrário, é tudo usado com parcimônia e dentro de um contexto, nada que agradaria esses hipsters de merda metidos a old school.

Enfim, o Facínora recomenda a série Cobra Kai. Pelo menos a primeira temporada dá para falar com segurança. Vale a pena assistir antes que fique muito famosa e comecem a encher o saco falando dela toda hora, o que acaba dando dando birra na gente.

Trailer

Saiba mais

Como fundo do vídeo do Cine Clube Bolonha de Cinema 6, eu joguei o Doom II (GZDoom) com os seguintes mods: Combined Arms, Brother in Arms, Brutal Doom Monsters Only e Maps of Chaos. Como eu já disse, esta partida será continuada no Cine Clube Bolonha de Cinema 7.